Histórico – fragmentos

Posto aqui alguns fragmentos da pesquisa histórica de Letícia Schio sobre o Sobrado. O texto não é pequeno, mas vale pelo pedacinho da história que o Sobrado tem.

O casarão foi construído em 1916, a mando de Evandro Ribeiro, um engenheiro civil formado pela Escola de Engenharia de Porto Alegre. Nascido em Caçapava do Sul em 22 de abril de 1882 e morto em Porto Alegre a nove de julho de 1960. Foi também professor e poeta, por isso fez parte da Academia literária sul-riograndense e da Academia de letras do Rio Grande do Sul. Entre suas obras publicadas estão: reminiscências (versos, 1925), aritmética, álgebra, geometria, trigonometria, flores murchas (versos, 1943), perge! (versos), Sia Maruca e seu doutor (peça), os séculos, estudo histórico em 21 poemas.

Em novembro de 1922 por ocasião das comemorações aos 25 anos de sacerdócio do Padre Caetano Pagliuca, o Sr. Evandro Ribeiro foi uma das personalidades da época convidadas a participar das festividades. Assim, Evandro Ribeiro, em cerimônia com público lotado, declamou seu poema perge! especialmente para o Padre Caetano. Segundo reportagens da época no jornal Diário do interior, este momento foi especialmente emocionante para os presentes. Além disso, Evandro Ribeiro concedeu o dinheiro arrecado com a venda de seu poema perge! às obras sociais criadas e desenvolvidas pelo padre Caetano na cidade de Santa Maria. Na reportagem diz ainda que “neste poema que é composto em estrofes camoneanas, onde o seu autor conta a odisseia do jubilado, relatando em poética linguagem, todos os benefícios prestados a esta cidade pelo reverendo padre Caetano Pagliuca”.

casarão foi vendido por Evandro Ribeiro a Pedro Monaiar e irmãos, família de imigrantes libaneses estabelecidos na cidade. Pedro Monaiar era proprietário da Casa Monaiar, estabelecimento especializado em tecidos, com sede na rua Dr. Bozano 1360.  Em 1941 estes últimos a venderam a Olintho Danesi que no ano seguinte, 1942 comprou um terreno de Dona Luiza di Primio Beck localizado ao lado do casarão a fim de aumentar a área da propriedade. A família Danesi, saída da localidade de São Lucas pertencente ao município de São Vicente do Sul em 1941 em decorrência de uma grande enchente que assolou o estado, encontrou naquela casa exatamente a moradia que almejavam encontrar para fixar residência em Santa Maria. Assim, Olintho Danesi, descendente de imigrantes italianos juntamente com sua esposa Nair e seus três filhos: Paulo, José e Luiza (nascida em outubro de 1942, quando a família já estava estabelecida na casa) pôde tranquilamente exercer seus hábitos de origem. A família Danesi viveu no casarão até 1980, completando quase quatro décadas de felizes lembranças e recordações.

Após esse período de moradia da família Danesi a casa não foi mais habitada por nenhuma família. Os Danesi alugaram por algum tempo o depósito, situado ao lado da garagem, para o estabelecimento de uma torrefação de café. Em decorrência da falência dos negócios, o proprietário da torrefação acabou cometendo suicídio na garagem ao lado do depósito.

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Fica marcada a história do Sobrado até agora. Ainda queremos registar todas as lembranças do local. Em 2012 inicia uma fase onde o Casarão será parte da cidade, não somente pelo registro do passado em tijolo e argamassa, mas também pelas inúmeras atividades culturais que o Sobrado abrigará.

 

Uma resposta em “Histórico – fragmentos

  1. Pingback: Dar um novo sentido para um casarão abandonado em Santa Maria e um Teto para a TV OVO | Sobrado Centro Cultural

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